sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Gênio tardio


O ministro das finanças alemão, Peer Streinbureck (foto), afirmou, em função da crise do capital especulativo, que "as teorias de Karl Marx nào estão de todo erradas". Em parte, ele tenta explicar o fato de que aumentaram as vendas de livros de Marx na Alemanha, pois alguns gênios tardios "descobriram" que Marx explica a crise.
E o que Marx disse há século e meio atrás que os gênios tardios estão descobrindo hoje? Que a crise do capital especulativo é apenas a superfície de uma crise mais complexa que atinge a economia real e que, entre outras coisas, paralisa ou dificulta a circulação de dinheiro.
Mais ainda: trata-se de uma crise cíclica do capitalismo, ou seja, não é a primeira e não será a última. Como estamos vendo um grande processo de concentração no mercado financeiro, nào é preciso ser gênio para prever que a próxima crise será ainda pior. Segure-se na cadeira, se você ainda tiver cadeira.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A "crise" dos bancos


Vivemos a era da empulhação. Fala-se da crise dos bancos (foto) como se fosse uma grande novidade, algo que os governos do mundo "livre" estão se empenhando em resolver. Mentira. Estão enganando você. Em seu estudo "Para a crítica da economia política", Marx já disse, há muito tempo, que "o fenômeno mais geral, mais palpável das crises comerciais é a queda súbita, geral, dos preços das mercadorias, que sucede, invariavelmente, a uma alta bastante prolongada desses preços. Essa queda no preço das mercadorias é o resultado de uma valorização do valor do dinheiro, que decorre de uma circulação deficiente. Assim, os preços baixam e sobem periodicamente, porque periodicamente crcula demasiado ou pouco dinheiro".
Marx assinala que as crises comerciais durante o século XIX, especialmente as grandes crises de 1825 e 1836, eram já grandes tormentas do mercado mundial, nas quais se descarregavam todos os elementos em luta do processo burguês de produção, cuja origem, vejam só, se procurava na esfera mais superficial e mais abstrata desse processo, que é a esfera da circulação monetária.
Pois é exatamente isso que governos de todo o mundo estão fazendo: buscando resolver problemas profundos da economia, gerados pelo modelo capitalista de produção, exatamente de modo superficial, ou seja, na circulação do dinheiro.
Os especuladores, claro, agradecem!

Os bancos marxistas de Magnoli


Demétrio Magnoli (foto) é articulista do Estadão e da Revista Época. Se auto-intitula "Doutor em Geografia Humana pela USP". Pobre USP. Não merecia semelhante aluno. Hoje ele escreveu um artigo no Estadão, de quase meia-página, criticando os marxistas que criticam o capitalismo especulativo que levou bancos à ruína e está fazendo com que governos de todo o mundo injetem bilhões de dólares para socorrer especuladores, em detrimento de programas sociais, tudo porque a economia se tornou profundamente dependente do câncer da especulação. Ele diz: "Os filhos de Karl Marx começaram a disseminar uma narrativa ideológica da crise que é tão desonesta quanto reacionária. Essencialmente, eles dizem que o neoliberalismo faliu e que a causa da catástrofe é a desregulamentação do mercado financeiro".
Quando afirma "narrativa ideológica da crise" esse "doutor em geografia humana" - existe geografia animal? - parece dizer que a crise não é ideológica em si, o que é uma profunda empulhação. Ele critica os "filhos de Marx" que criticam o capitalismo especulativo, mas em seu longo artigo, não apresentou solução ou critica a esse estado de coisas que torna sociedades inteiras reféns de banqueiros. Recomendei a ele que lesse Marx e ele se irritou. Disse que foi "mal entendido", mas, na verdade, ele quis mostrar que é sábio criticando Marx e os marxistas. Este é um artifício comum utilizado por intelectuais medíocres.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Gigantes com pés de barro

Você lê jornal? De seis bancos de investimentos norte-americanos, 4 estão liquidados e dois caminham para a liquidação. Chamar estes bancos de "bancos de investimentos" é um eufemismo típico da imprensa capitalista, que é financiada por anúncios de bancos. Na verdade, estes bancos são cassinos internacionais, que perderam a aposta.
Lula e o Governo do PT foram à mídia dizer que o Brasil "não tem nada a ver com a crise". Eles são ingênuos? Não, eles estão apavorados.
Se você tivesse lido um livro chamado "Razão do insucesso de bancos privados brasileiros", escrito pelo Doutor em Contabilidade da USP, Alberto Borges Matias, saberia que se a taxa de juros no Brasil cair a algo como 3% ou 5% ao ano, 10 dos maiores bancos privados brasileiros, entre eles os poderosos Itaú, Bradesco, Unibanco, iriam à ruína em um prazo não superior a 2 anos. Chocado?
O que sustenta esses "gigantes" com pés de barro é justamente a absurda taxa de juros que governos como os FHC e Lula pagam aos bancos, um dinheiro que é subtraído do País e que poderia servir para financiar o desenvolvimento.
O Brasil, assim como o mundo, é refém de um sistema financeiro corrupto, alavancado, acostumado a jogatinas, que deveria ser totalmente repensado. Leia Marx. Você vai entender ali a origem desta e de outras crises do capitalismo, que só terminam com o planejamento centralizado da economia. Veja esta frase, por exemplo, dos Manuscritos Econômico-Filosóficos, de 1844: "Para o ecnomista vulgar que pretende apresentar o capital como fonte autônoma de valor, de criação de valor, esta forma é naturalmente um achado, uma forma na qual a fonte do lucro não é mais reconhecível, e o resultado do processo capitalista - isolado do processo - se reveste de um modo de existência autônomo". Traduzindo essa colocação de Marx: a origem do capital é o trabalho e a especulação desenfreada, praticada pelos bancos, inclusive os brasileiros, com o apoio dos governos, só pode resultar em crise. Esta crise não é a primeira, não é a segunda, não será a última, até que os homens realmente conscientes resolvam colocar um fim a isto. Há homens conscientes no mundo?

Capitalismo para trouxas

Você já ouviu, diversas vezes, de governos como o norte-americano e até o brasileiro, de Lula, que as melhores soluções econômicas são providas pelo mercado. Lula chegou a dizer isso quando a Varig estava para ser fechada, entre várias razões por créditos que tinha a receber do governo que nunca recebeu. O mercado é "Deus", eles dizem.
Esta semana ruíram todos esses argumentos. Morrendo de medo de que o cassino global das finanças vá à lona, os governos norte-americano, europeu e até o brasileiro (via elevação da taxa de juros), injetaram mais de 1 trilhão de dólares em instituições falidas, que perderam no jogo do cassino das finanças globais.
De onde saiu esse mais de 1 trilhão de dólares? De programas de combate à fome, contra a pobreza, de geração de emprego e renda, tudo isso transferido para socorrer agiotas e especuladores globais. O capitalismo que vivemos é uma farsa. Joga de modo inescrupuloso, mas nunca perde, pois quando perde é socorrido por governos que até pouco tempo atrás defendiam o "livre" mercado.
E os trouxas, que acreditam em "livre" mercado, seguem financiando a banca, os banqueiros, os especuladores e governos corruptos. Esse é o capitalismo. Esse é o livre mercado. Esse é o mundo dos trouxas.

Semana sobre Marxismo

Abordando o marxismo contemporâneo, Marx e Engels, as Internacionais Comunistas e o marxismo na América Latina, a segunda edição do colóquio Marx e os marxismos traz, nesta semana, mesas-redondas com docentes e pesquisadores. O evento está sendo organizado pelos professores Ricardo Musse e Ruy Braga, ambos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Entre as mesas-redondas, destaca-se "Economia e política em Marx", com a presença de Emir Sader, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), João Carlos Brum Torres, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Ricardo Musse.

O colóquio acontece na sala 8 do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH (Av. Prof. Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, São Paulo), até a sexta-feira (19), e é aberto ao público, não sendo necessária inscrição. Mais informações: (11) 3091-3704 / 3766, com Raphael. Clique aqui para saber mais.

domingo, 14 de setembro de 2008

Marx no Youtube

Marx trouxe uma grande contribuição à pesquisa científica quando introduziu o conceito de alienação. Podemos ver os efeitos da alienação por toda a parte hoje e a Internet é, sem dúvida, uma de suas grandes expressões. No entanto, como a demonstrar que nem tudo está perdido, é possível encontrar na Internet alguns pequeniníssimos lampejos de criatividade e reconhecimento à obra de Marx. Um exemplo disso é este filme, feito por Elias Resende, que se propõe a contar um pouco sobre a vida de Marx. Bastante limitado em sua pesquisa histórica, o filme não deixa de mostrar o lado profundamente humano de Marx, assim como a repressividade de inúmeros governos que nunca o quiseram por perto. Veja o filme e leia os comentários das pessoas no Youtube. Vale a pena. O que me entristece é saber que, hoje, enquanto vídeos como os de Maddona ou Britney Spears alcançam a cifra de milhões de visitas, este singelo vídeo sobre Marx foi visto por pouco mais de 12.000 pessoas, o que é, convenhamos, um ótimo número! Mas estes dados mostram, apenas, que o fenômeno da alienação, previsto por Marx, caminha para seu apogeu. Veja o vídeo aqui. Se você não consegue ver o vídeo é porque sua empresa bloqueia o Youtube. Por que será?